Decidi abrir a caixinha das recordações.
Nela ainda habitavam sonhos, promessas e saudades. Mas, que saudades!
Nela habitavam as fotografias que registaram momentos felizes, habitavam bilhetes escritos no silêncio de um olhar. Habitavam ainda tantas coisas que nem consigo descrever não porque é difícil falar nelas, mas sim porque não há nada mais para acrescentar.
Recuei tantos passos atrás que isso me faz arrepiar e perguntar o porquê ? O porquê de tudo começar e ter de acabar?! Nessa gaveta estavam presentes muitas histórias, umas mais felizes que outras mas todas elas marcaram de uma maneira tão intensa e saudável, histórias essas que me fizeram aprender alguma coisa ao logo desta vida. Histórias essas que nunca me fizeram arrepender de nada. Fiz tudo o que sentia, lutei quando achei que devia fazê-lo. Fui feliz, mesmo com todas as infelicidades que todas essas histórias trazem com elas. Nunca me arrependi de nada. Nem tenho que me arrepender. Hoje em dia, há muito boa gente que quando as coisas não lhes correm como lhes dá jeito, perguntam-se: "Porque é que eu amei demais?", "Porque é que eu fiz o que fiz?". Tantos porquês. E tão poucas respostas. E não haverá respostas para tanta pergunta escusada e mesquinha, isto porque quer tenhamos feito o que fosse, fizemos-lo porque o sentíamos, porque o queríamos, porque o desejávamos e é isso o mais importante. O lamentar vem depois, se tiver que vir. Nunca devemos amar pela metade, nunca devemos lutar até meio do caminho, nunca devemos sonhar e pensar que nunca se irá realizar o que sonhámos, nunca devemos dar de menos com medo do dia seguinte porque vai haver um dia que quando o destino nos acabar com tudo, podemos dizer e de consciência tranquila e de coração aberto que fizemos tudo o que houve para se fazer, tudo o que se sentiu que se devia fazer. É sem dúvida isso o mais importante, assim como não guardar rancor de ninguém, assim como não desistir antes de começar.
Na caixinha das recordações ficaram todos os momentos. E ficou também uma parte de mim! Tinha de assim ser...
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