quarta-feira, 20 de abril de 2011

Decidi abrir a caixinha das recordações.
Nela ainda habitavam sonhos, promessas e saudades. Mas, que saudades! 
Nela habitavam as fotografias que registaram momentos felizes, habitavam bilhetes escritos no silêncio de um olhar. Habitavam ainda tantas coisas que nem consigo descrever não porque é difícil falar nelas, mas sim porque não há nada mais para acrescentar. 
 Recuei tantos passos atrás que isso me faz arrepiar e perguntar o porquê ? O porquê de tudo começar e ter de acabar?! Nessa gaveta estavam presentes muitas histórias, umas mais felizes que outras mas todas elas marcaram de uma maneira tão intensa e saudável, histórias essas que me fizeram aprender alguma coisa ao logo desta vida. Histórias essas que nunca me fizeram arrepender de nada. Fiz tudo o que sentia, lutei quando achei que devia fazê-lo. Fui feliz, mesmo com todas as infelicidades que todas essas histórias trazem com elas. Nunca me arrependi de nada. Nem tenho que me arrepender. Hoje em dia, há muito boa gente que quando as coisas não lhes correm como lhes dá jeito, perguntam-se: "Porque é que eu amei demais?", "Porque é que eu fiz o que fiz?". Tantos porquês. E tão poucas respostas. E não haverá respostas para tanta pergunta escusada e mesquinha, isto porque quer tenhamos feito o que fosse, fizemos-lo porque o sentíamos, porque o queríamos, porque o desejávamos e é isso o mais importante. O lamentar vem depois, se tiver que vir. Nunca devemos amar pela metade, nunca devemos lutar até meio do caminho, nunca devemos sonhar e pensar que nunca se irá realizar o que sonhámos, nunca devemos dar de menos com medo do dia seguinte porque vai haver um dia que quando o destino nos acabar com tudo, podemos dizer e de consciência tranquila e de coração aberto que fizemos tudo o que houve para se fazer, tudo o que se sentiu que se devia fazer. É sem dúvida isso o mais importante, assim como não guardar rancor de ninguém, assim como não desistir antes de começar. 
Na caixinha das recordações ficaram todos os momentos. E ficou também uma parte de mim! Tinha de assim ser... 

sábado, 16 de abril de 2011

Parou tudo, e eu escutei o meu coração.
Ele disse-me bem baixinho para eu voltar aos poucos. Primeiro não lhe liguei. Mas, depois de pensar nos últimos tempos eu dei-lhe razão e comecei a pensar no que teria que ser feito. 
Há momentos da nossa vida que nos sentimos tão vazios, que achamos por bem fazer coisas que não são as mais acertadas, e muitas delas que nada têm a ver com a nossa filosofia de vida. Erramos! Erramos muito... e estará isso errado? Creio que não na sua totalidade. Aprendemos muito com os erros, e crescemos também. Há dias que tenho aquela sensação que não estou em mim, que o meu corpo não pertence a esta alma, isto porque quero o que não posso ter, e desperdiço o que tenho. Que é feito de mim? Que é feito de alguém que sempre necessitou de ser amada e de ter alguém ao pé dela? Não sei... Acho que ela se deixou perder por todos os anos que desejou e nunca teve. Acho que foi isso! 
Costumo dizer que estou vacinada em relação a tudo que há neste Mundo. Não sei se é exagero ou não, mas a verdade é que tenho sempre uma história para contar, para lamentar, para ultrapassar. 
Voltando à minha caixinha mágica: o coração. Gostava de voltar aos poucos, de sentir que estou em mim, que a pessoa que se vê aos espelho todos os dias sou eu e não uma personagem que decidiram aqui meter para viver a minha vida. Se foi isso que aconteceu, então quero que ela morra, para que eu posso voltar... mas desta vez para fazer o que é certo fazer.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Envolveste-me nos teus braços, senti o teu cheiro, a tua mão quente passava no meu rosto, ias-me puxando para ti apenas com o teu olhar. Nada mais. O teu olhar chamava por mim perto de ti, ainda mais perto... A tua boca ia-se aproximando da minha. Tremi! Parecia a primeira vez que estava assim com alguém. E era, há sempre várias primeiras vezes ao longo da nossa vida, dependendo das pessoas e dos momentos. Voltando àquele momento... Fui beijada de uma maneira doce que me aqueceu o coração. Ainda hoje sinto esse quentinho na minha cabeça... e quando tenho frio, penso nele. Hoje perguntou-me onde tudo se perdeu? 
Não há respostas. Não há mais momentos destes para poder perceber como se começa tudo de novo. Acabamos sempre por acabar o que ainda nem começou. Fico com a sensação que não sei ser feliz a longo prazo. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Eu sei, tu foste o sonho, eu fui o sonhador,

Foi muito louco esse nosso amor,

Só que a saudade já não faz sentido,

Embora eu faça por esquecer"

José Cid, Sonhador

Hoje, acordei com esta música na cabeça. O dia está bonito, é uma verdade! A música é triste (e vão duas verdades). 
É uma música que me leva para bem longe do meu "eu", faz-me pensar e lembrar de coisas que por vezes pensamos nós que esquecemos mas na verdade está tudo bem dentro da cabeça e do coração. Quando fica guardado no coração não é muito bom, em alguns casos. O coração é tramado, caramba! Ele guarda tanta coisa... Como é que é possível uma "coisinha" tão pequenina guardar tanta coisa, sentir tanta coisa, acabar com tanta coisa? Não há respostas, eu sei. Não fiz a pergunta para obter respostas, fiz apenas para dar admitir que não sei a resposta, para admitir esta minha grande dúvida. 
Este excerto é forte. Transmite tanta coisa. Tanta! E pergunta quem lê: e o que transmite afinal? 
Para mim transmite amor, sonho, desilusão, saudade, loucura, e luta...
Vou tentar ser um pouco mais explicita: Nem sempre o amor é correspondido isso é uma verdade universal, pode-se dizer. No inicio é tudo muito bonito, tudo muito bom, tudo muito louco mas depois vem a altura que é sempre tudo igual, que não há nada de novo e é como um cair tudo por terra abaixo mas, a maior parte das vezes, há sempre uma parte que não se apercebe e pensa que está tudo bem, que o amor vence tudo (como diz a frase feita, que não passa disso). Na verdade o amor não vence tudo. Na verdade o amor não acaba ao mesmo tempo. E quero dizer com isto o seguinte, que o amor quando acaba para um parceiro, não quer dizer que acabe também para o outro. Existe sempre uma parte que continua "cega" ou então que não quer ver o que está à frente dos olhos, já se diz que "o maior cego é aquele que não quer ver". Numa relação existem 2 pessoas. Numa relação existe sempre uma que dá mais de si, que ama mais. E depois há o sonho e o sonhador. Aquele que é como que algo atingir, e aquele que simplesmente se limite a viver o momento, sem idealizar muito. E é por isso que digo que há sempre um que dá mais de si, do que o outro. Isto é uma verdade! Na minha Eopinião, claro! Quando tudo acaba, vem a saudade. Aquela "coisa" estúpida e mesquinha, que nos faz, por vezes, descer tão baixo. Ai, eu odeio a saudade! Odeio mesmo. É dos piores sentimentos do Mundo! A saudade é aquela "coisa" que se sente quando algo se perdeu. É horrível quando estamos habituados àquela rotina e de um dia para o outro passamos a ter outra rotina, e desta vez sem ninguém do nosso lado. De seguida a palavra luta! Essa aí tem dois significados nesta minha "história" do amor: uma que é a luta para se conseguir ter tudo novamente, e a outra luta é para tentar passar por cima de todos estes sentimentos absurdos que se sentem quando se perde alguma coisa. Não mencionei a palavra desilusão e loucura mas essas aí são fáceis demais. A loucura de todo o amor, e de todos os momentos, e a desilusão de tudo se ter perdido assim. Sem mais nem menos! Sem uma explicação.
É tudo muito bonito se ler, de se ouvir mas quando se sente... Ai! Quando se sente...