Quando comecei a ganhar o gosto pela escrita, fui pensando sempre em escrever o que me ia na alma (dizendo de uma maneira mais poética). Nunca, ou quase nunca, tive hábito de dar um titulo ao desabafo, mas hoje tenho uma ideia: Esta "coisa" de ir de Erasmus. Parece-me bem.
Vou no 21º dia num país novo, com uma cultura diferente, uma língua diferente, um caminhar diferente... tudo diferente.
Não sei definir ao certo o que me levou a passar por este rumo, mas penso que há imensas coisas na nossa vida que simplesmente acontecem porque têm de acontecer. Esta foi uma delas.
Não é fácil, de todo. Estar longe da família, dos amigos, dos lugares que me aqueciam o coração, é um virar de pagina que muda a nossa vida ao contrário. Aqui tenho procurado conhecer coisas novas, e o tal lugar que me acalmava lá. Vou ter de me identificar com um aqui, nesta cidade que vai ser "minha" por 6 meses.
Sinto que foi a melhor altura para ficar longe de muita coisa, que por vezes tem de ser banida do nosso dia-a-dia. Não, não fugi. Apenas virei algumas páginas que tinha lido demasiadas vezes. Aquelas que já sabia de cor. Aquelas que já tinham um fim ao começo. Aqui espero encontrar uma segurança em mim que não tinha mais. Aqui procuro conhecer-me novamente, porque a vida é mesmo isso: conhecer coisas novas em nós próprios. Aqui espero que existam portas entreabertas para o futuro que aí vem. Aquele que seja como for, irá ser para sempre o futuro. Não peço que seja facilitado, peço sim, que o atinja e que me dê gozo. Faz parte!
Aqui quero lavar a alma de toda a "sujidade" que fui ganhando e acumulando ao longo de tanto tempo.
E não, não vim para cá por uma razão apenas. Vim com muitas razões, que não cabem nas minhas mãos, mas que irão alimentar os sonhos. Ou não tivesse em mim "todos os sonhos do Mundo".