sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Quando comecei a ganhar o gosto pela escrita, fui pensando sempre em escrever o que me ia na alma (dizendo de uma maneira mais poética). Nunca, ou quase nunca, tive hábito de dar um titulo ao desabafo, mas hoje tenho uma ideia: Esta "coisa" de ir de Erasmus. Parece-me bem.
Vou no 21º dia num país novo, com uma cultura diferente, uma língua diferente, um caminhar diferente... tudo diferente.
Não sei definir ao certo o que me levou a passar por este rumo, mas penso que há imensas coisas na nossa vida que simplesmente acontecem porque têm de acontecer. Esta foi uma delas.
Não é fácil, de todo. Estar longe da família, dos amigos, dos lugares que me aqueciam o coração, é um virar de pagina que muda a nossa vida ao contrário. Aqui tenho procurado conhecer coisas novas, e o tal lugar que me acalmava lá. Vou ter de me identificar com um aqui, nesta cidade que vai ser "minha" por 6 meses.
Sinto que foi a melhor altura para ficar longe de muita coisa, que por vezes tem de ser banida do nosso dia-a-dia. Não, não fugi. Apenas virei algumas páginas que tinha lido demasiadas vezes. Aquelas que já sabia de cor. Aquelas que já tinham um fim ao começo. Aqui espero encontrar uma segurança em mim que não tinha mais. Aqui procuro conhecer-me novamente, porque a vida é mesmo isso: conhecer coisas novas em nós próprios. Aqui espero que existam portas entreabertas para o futuro que aí vem. Aquele que seja como for, irá ser para sempre o futuro. Não peço que seja facilitado, peço sim, que o atinja e que me dê gozo. Faz parte!
Aqui quero lavar a alma de toda a "sujidade" que fui ganhando e acumulando ao longo de tanto tempo. 
E não, não vim para cá por uma razão apenas. Vim com muitas razões, que não cabem nas minhas mãos, mas que irão alimentar os sonhos. Ou não tivesse em mim "todos os sonhos do Mundo".

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dizem que há paixões que duram uma vida. E que não desmaiam sequer... Paixões onde a chama continua a mesma, sempre acesa, sempre ali. Passem dias, meses, anos... passe uma vida.
Confesso, tenho medo.
Lembrar-me de ti quer dizer que tu és a minha companhia do dia-a-dia, mesmo sabendo que a tua vida nunca passará por ser a mesma que eu. Escrevo-te cartas, desenho sonhos, construo momentos para que consiga sentir-te sempre, a toda a hora. Alguma vez te passou pela cabeça que eu faria uma coisa dessas? Imagino que não. Mas faço...
Até te digo mais: cheguei a imaginar-te conhecer mais o meu Mundo, pegar na tua mão à frente de todos. Sonhei que um dia podia saltar para o teu colo e dizer-te: valeu a pena esperar por ti. Respirava e ainda respiro fundo só de imaginar poder dormir todos os dias contigo. Aliás, tu dormes sempre comigo e sabes porquê? Por que não consigo deixar-te ir. Não consigo entender porque é que a vida teima em fazer-me sentir sempre a mais em alguma história? Nunca fui pessoa de me ir abaixo, mas sabes vida... estás a conseguir! São muitas coisas falhadas, são muitas perguntas, muitas dúvidas, são muitos medos! 
Sim, há pessoa piores do que eu, sou a primeira a dizê-lo... mas aquilo que eu sinto por muito mesquinho que possa ser, atormenta-me o coração, a alma e quanto a isso nada posso fazer. 
Tenho saudades tuas e sei que vou ter durante a minha vida toda. Nunca me imaginei viver em algo assim... sempre me achei superior a esse tipo de histórias e agora olha para mim?!?! Sou um farrapo... daqueles que nem se sabe ao certo o que fazer com ele. Se deitar fora, se colocar remendos e seguir em frente!? Com isto, e de uma forma mais clara: não sei se te deixe lá atrás, se continue contigo assim, desta "nossa" maneira. A verdade é que fazes-me um mal que é bom demais. É esse o problema. É esse o entrave que me faz sentir perdida. 
Sabes, leio todos os dias a tua carta. Penso que és tu que estás aqui para me leres essa história, a nossa... e em todos os dias tenho esperança que um dia me digas: "Isto não pode continuar assim... temos coisas a bater certo demais para viver nesta história condenada." Juro, juro mesmo que peço isso a Deus todos os dias.